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quinta-feira, 6 de março de 2014

Meu caso de amor e ódio a aeroportos



Sou uma observadora nata.
E agora aspirante a aeroportuária. Talvez os leitores se perguntem por que quero enveredar por estes lados? Eu os respondo: Por que não há lugar melhor para encontrar sorrisos, abraços e beijos sinceros que um aeroporto.
A saudade das pessoas, a curiosidade de quem chega, a tristeza de quem parte, o vai e vem nas alas de check in... Os ares de um aeroporto reservam bem mais que chegadas e partidas, revelam vidas que vem e vai no ritmo da vida que é um eterno partir/andar.
Vejo pessoas que em outrora partiram para realizar seus sonhos em terras além, voltando com sua família formada para visitar quem aqui deixou. Vejo o esplendor de alegria dos amantes que reencontram-se após algum tempo (ou não) de saudade e espera. Ahh, já falei que detesto esperar?! Não sei como as pessoas suportam com um sorriso no rosto e quando lhes é perguntado se tudo ocorre bem a resposta é sim. E mesmo com a saudade estrangulando o coração, ainda sabem colocar um sorriso no rosto e serem felizes. Como podem ser felizes, com a saudade apertando mais que sapato pequeno em pé grande?
Não saberia explicar. Pois, tudo que temos conhecimento e é facilmente explicável não faz muito sentido. Aliás, as vezes vejo a saudade como uma companhia para os dias mais difíceis e uma esperança que dias mais amenos virão...
Nada é mais reconfortante ao coração do que estas imagens. E o mais engraçado: as pessoas estão ocupadas de tal forma que nem notam estas pequenas histórias de amor/humor/família ao seu redor quando estão no saguão aguardando algo...








terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Vamos falar de Relacionamento: Homem Brasileiro

Antes de falar sobre relacionamento com estrangeiros, gostaria de falar sobre brasileiros. Sim, falar de quem tenho maior experiência e observação o modo como os homens brasileiros amam.
A princípio, o machismo brasileiro não é uma lenda urbana. Existem homens que quase morrem quando descobrem o quanto suas companheiras ganham mensalmente em principal se ela ganhar mais que ele (o que eu acho de uma burrice sem fim), outro ponto do machismo latino: chegam de uma forma muitas vezes agressiva. Ex.: cantadas do tipo "- Gostosa!" - Me mate! - ou mais pejorativas falando sobre o tamanho do bumbum ou de outras partes. Uma mulher quando se casa faz parte dos pertences do homem, muitas vezes o homem a vê como um bem adquirido através do matrimônio ou coisa do tipo. Muitos não são dados ao romantismo e presentear suas companheiras com flores por exemplo já é motivo para ser execrado em meio aos seus companheiros de partidas de futebol ou beber cerveja. Aqui, existem muitos homens que condenam as mulheres que possuem relacionamentos extra conjugais e a estas é dado nomes pejorativos, muitas vezes são tratadas de forma agressiva quando não são assassinadas. Já o homem aqui, pode manter tranquilamente duas famílias que ele será o gostosão da família. Outro pensamento detestável ensinado até por algumas mulheres daqui: "Prenda suas cabritas que meu bode 'tá' no terreiro" - Ou seja, o homem tem autonomia sobre seu corpo, sua sexualidade não é vista como um tabu mas a mulher... Hum.. sei...
Lembrei-me do meu primeiro namorado, eu com 16 anos e ele com 19. Eu desconfiava de algumas ligações que ele andava recebendo e minha sogra pacientemente conversava comigo "- É assim mesmo minha filha, homens precisavam de uma certinha pra casar e uma mais ou menos para se divertir". Chamo ela de sogra até hoje, por que sempre gostei dela. Ela me acolheu de uma forma especial e pelo menos nisso talvez nosso namoro tivesse dado certo.
Outra coisa detestável no homem brasileiro é isso: se você sai somente com seus amigos, está querendo deixá-lo de lado. Mas se ele sai com os amigos, está vivendo a vida dele, já tinha aqueles amigos antes de te conhecer... blá blá blá!
Existem raras exceções. Muitos homens educados por mães de pensamento menos retrógrado, mas encontrá-los é um desafio... 




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Artigos de quinta em Relacionamentos de quinta...

Com o advento da internet e a popularização da mesma as pessoas tendem a tornar-se um pouco mais reflexivas em relação a algumas questões culturais ou até mesmo suas visões sobre a vida e o mundo.
A realidade é que a Internet e esta virtualização de culturas, modificaram de forma permanente as relações. Hoje em dia é fácil identificar alguém vivendo um relacionamento sério, basta que tenhamos mais um pouco de curiosidade e observemos sua rede social. As distâncias encurtaram-se e vê-se mais casais multiculturais o que é muito bom. Mas atrás de tantas qualidades e benefícios da modernidade vem os problemas. Por exemplo, eu, apesar de morar na América do Sul e ter pensamentos ocidentais ainda não consigo aceitar alguns casais que se conhecem numa semana e na outra já estão morando juntos e trocando juras de amor eterno. Amor este que vai durar, até um olhar para o outro e ver que este não corresponde mais suas expectativas. Daí fica fácil, descarta-se o outro, apaga-se as lembranças e comete-se o mesmo erro com outras pessoas...
Talvez tenha nascido numa época diferente. Ou com um pensamento retrógrado demais para estas modernidades. Eu ainda admiro o período 'namoro' onde as pessoas se conhecem melhor, cada um respeitando seu espaço e sua bagagem pessoal. Sim, por que ao iniciar um relacionamento, você acaba tocando uma alma totalmente diferente que até então deve ter vivido algumas histórias, amarguras, desenganos ou até amores diferentes de todos os outros sentimentos até então vividos ao seu lado. Infelizmente, ninguém consegue voltar ao passado e apagar algumas pessoas. O máximo que podemos fazer é aceitar com carinho que não era pra dar certo e seguir atrás da felicidade, é claro. Pois bem, admiro isso. As conversas, o descobrir o outro sem invadir sua intimidade...
Infelizmente, hoje em dia um relacionamento de verdade se resumiu na efêmera mudança de status de uma rede social. Sem muitos olhos nos olhos, expectativa de primeira noite juntos e além de tudo o querer estar junto por querer estar junto e nada mais...












quinta-feira, 25 de abril de 2013

Caio Fernando Abreu - Pela noite


”Se o outro for bom para você? 
Se te der vontade de viver. 
Se o cheiro do suor do outro também for bom. 
Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? 
Quando você chega no mais íntimo, No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido.[…] 
O que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a coragem da própria merda. E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. O que vale é ter conhecido o corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo. Porque então você se ama também.”












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